Nunca diga que ele fazia isso por fama.
Pelo menos, não só por fama.
Seu nome de batismo ninguém mais lembra. Nas redes, era conhecido como Vibração Consciente, com quase 300 mil seguidores em plataformas como TikTok, YouTube e Instagram, um daqueles tipos que falava sorrindo sobre “transmutar energias”, “abrir chakras com frequência de 528 Hz” e “levar luz aos lugares esquecidos”.
Foi com essa proposta que anunciou, numa manhã nublada de julho:
— Meus amores, hoje eu vou fazer algo que poucos têm coragem. Vou entrar no Edifício Anhangabaú. E sim, sozinho. À noite. E vou tentar ajudar quem ainda não conseguiu seguir a luz…
A câmera tremia na mão dele, mas o sorriso era firme. No peito, colares de quartzo rosa. No bolso, um cristal ametista. Na cabeça, uma convicção: ele realmente achava que podia ajudar.



