Era madrugada alta quando Ronaldo pisou fundo na estrada deserta, a caminho do Rio de Janeiro. No banco do passageiro, um sorte de muambas do Paraguai — relógios digitais, perfumes "franceses" e a caixa do seu recém-instalado tesouro pessoal: um rádio automotivo novo, reluzente, soltando as batidas eletrônicas de uma música pop recém-lançada.
Finalmente conseguiu comprar algo de bom e diferente para trazer para a turma a um preço decente. Ronaldo estava realmente satisfeito. As coisas estavam muito difíceis, mas ele sentia que estava conseguindo se virar.
O céu estava limpo, mas um vento estranho varria a pista com cada vez maior frequência, uivando entre as árvores retorcidas. Ele aumentou o volume, tentando ignorar a sensação incômoda que crescia com a solidão da estrada.
Foi quando viu o ônibus.
