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segunda-feira, 12 de maio de 2025

O Quinto Arcano

Lucas estava decidido a escrever um livro. Não um romance qualquer, nem um desses panfletos de autoajuda que se empilham em livrarias de aeroporto. Ele queria algo maior. Um tratado. Um manifesto. Um documento que mudasse a forma como as pessoas viam o mundo — mesmo que ninguém o lesse.

Mas ele sabia que não conseguiria sozinho. Precisava de orientação, de uma figura com autoridade. Alguém como Hélio Dravon, um pensador recluso, outrora acadêmico brilhante, que havia desaparecido dos círculos intelectuais há anos, após lançar sua obra mais polêmica: As Raízes do Vazio.

O livro era uma mistura de filosofia esotérica, tradicionalismo radical e misticismo pessimista. Um tipo de Dugin tropical, cruzado com Schopenhauer e astrologia védica. Lucas o devorou em três dias. Precisava entrar em contato.

Encontrou, num blog obscuro, um número de telefone. Ligou, meio cético.

terça-feira, 29 de abril de 2025

O Bode de Mendes

O garoto segurava firme a mão do pai enquanto desciam pela garganta da caverna. A entrada mal se distinguia na encosta rochosa, coberta por musgos e raízes, como uma boca que preferia ficar fechada. O pai sorria, com aquele brilho nos olhos de quem conhecia um segredo.

— Não tenha medo, Tomás — disse ele. — Lá dentro tem só silêncio e pedra. É um lugar seguro.

A lanterna emitia uma bruxuleante luz amarelo-quente. A caverna parecia respirar em silêncio. A cada passo, a escuridão os engolia mais.

segunda-feira, 28 de abril de 2025

Perseguição Sombria

Era madrugada alta quando Ronaldo pisou fundo na estrada deserta, a caminho do Rio de Janeiro. No banco do passageiro, um sorte de muambas do Paraguai — relógios digitais, perfumes "franceses" e a caixa do seu recém-instalado tesouro pessoal: um rádio automotivo novo, reluzente, soltando as batidas eletrônicas de uma música pop recém-lançada.

Finalmente conseguiu comprar algo de bom e diferente para trazer para a turma a um preço decente. Ronaldo estava realmente satisfeito. As coisas estavam muito difíceis, mas ele sentia que estava conseguindo se virar.

O céu estava limpo, mas um vento estranho varria a pista com cada vez maior frequência, uivando entre as árvores retorcidas. Ele aumentou o volume, tentando ignorar a sensação incômoda que crescia com a solidão da estrada.

Foi quando viu o ônibus.

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