Lucas estava decidido a escrever um livro. Não um romance qualquer, nem um desses panfletos de autoajuda que se empilham em livrarias de aeroporto. Ele queria algo maior. Um tratado. Um manifesto. Um documento que mudasse a forma como as pessoas viam o mundo — mesmo que ninguém o lesse.
Mas ele sabia que não conseguiria sozinho. Precisava de orientação, de uma figura com autoridade. Alguém como Hélio Dravon, um pensador recluso, outrora acadêmico brilhante, que havia desaparecido dos círculos intelectuais há anos, após lançar sua obra mais polêmica: As Raízes do Vazio.
O livro era uma mistura de filosofia esotérica, tradicionalismo radical e misticismo pessimista. Um tipo de Dugin tropical, cruzado com Schopenhauer e astrologia védica. Lucas o devorou em três dias. Precisava entrar em contato.
Encontrou, num blog obscuro, um número de telefone. Ligou, meio cético.

