sábado, 3 de maio de 2025

A Casa da Luz Profana

A Casa da Luz Profana

Padre Giuseppe chegou a São Paulo com o rosto curvado pela vergonha e os olhos ardendo de culpa — mas não arrependimento. Viera enviado de Roma não como missionário, mas como exílio. Seus superiores, fartos das confissões noturnas, dos sorrisos femininos nos bancos da paróquia e das crias clandestinas espalhadas pelas vilas da Toscana, resolveram afastá-lo discretamente.

Disseram-lhe que o Brasil era campo fértil para penitência. E para o silêncio.

A paróquia ficava no bairro do Bixiga, entre velhas casas italianas e becos que pareciam sussurrar. Lá, Giuseppe pregava com eloquência, falava do fogo do inferno com assustadora familiaridade, e passava os dias cumprindo ritos... enquanto os olhos, pecavam.

Mas nas madrugadas — sempre nas madrugadas — saía em trajes civis e descia por ruelas tortuosas até encontrar uma velha casa com janelas vermelhas. Não havia nome na fachada, apenas uma porta entreaberta que exalava cheiro de vinho barato, tabaco e luxúria.

terça-feira, 29 de abril de 2025

O Bode de Mendes

O garoto segurava firme a mão do pai enquanto desciam pela garganta da caverna. A entrada mal se distinguia na encosta rochosa, coberta por musgos e raízes, como uma boca que preferia ficar fechada. O pai sorria, com aquele brilho nos olhos de quem conhecia um segredo.

— Não tenha medo, Tomás — disse ele. — Lá dentro tem só silêncio e pedra. É um lugar seguro.

A lanterna emitia uma bruxuleante luz amarelo-quente. A caverna parecia respirar em silêncio. A cada passo, a escuridão os engolia mais.

segunda-feira, 28 de abril de 2025

Perseguição Sombria

Era madrugada alta quando Ronaldo pisou fundo na estrada deserta, a caminho do Rio de Janeiro. No banco do passageiro, um sorte de muambas do Paraguai — relógios digitais, perfumes "franceses" e a caixa do seu recém-instalado tesouro pessoal: um rádio automotivo novo, reluzente, soltando as batidas eletrônicas de uma música pop recém-lançada.

Finalmente conseguiu comprar algo de bom e diferente para trazer para a turma a um preço decente. Ronaldo estava realmente satisfeito. As coisas estavam muito difíceis, mas ele sentia que estava conseguindo se virar.

O céu estava limpo, mas um vento estranho varria a pista com cada vez maior frequência, uivando entre as árvores retorcidas. Ele aumentou o volume, tentando ignorar a sensação incômoda que crescia com a solidão da estrada.

Foi quando viu o ônibus.

terça-feira, 22 de abril de 2025

A Lenda do Vinho Casillero del Diablo

Dizem que tudo começou em 1883, quando Dom Melchor de Concha y Toro trouxe da França as primeiras videiras que mudariam o destino daquelas terras chilenas, que cruzaram o oceano num navio envolto por brumas e silêncios, observadas apenas pelas gaivotas e pelo som do vento sobre o mar. Eram cepas nobres, lendárias, cujas raízes fincaram-se em solo fértil como se já o conhecessem.

Com o tempo, aquelas uvas deram origem a um vinho profundo, escuro, quase místico. Dom Melchor, consciente de sua preciosidade, separou algumas das melhores garrafas e as guardou sob chave, em um lugar secreto de sua bodega — um subterrâneo sombrio, conhecido apenas por ele.

segunda-feira, 21 de abril de 2025

A Garra do Macaco

Parte I

Lá fora, a noite estava fria e chuvosa, mas na pequena sala da Villa Laburnam, as cortinas estavam fechadas e o fogo ardia vivamente. Pai e filho jogavam xadrez — o primeiro, cujas ideias sobre o jogo envolviam mudanças radicais, colocava seu rei em perigos tão agudos e desnecessários que até provocavam comentários da senhora de cabelos brancos que tricotava pacientemente ao lado da lareira.

— "Escute esse vento," disse o Sr. White, que, tendo percebido um erro fatal tarde demais, agora tentava evitar que o filho o notasse.

— "Estou ouvindo," respondeu o outro, fitando o tabuleiro com seriedade enquanto estendia a mão. "Xeque."

domingo, 20 de abril de 2025

Nós vivemos...novamente!

Depois de muito deliberar, resolvi fazer mais uso do blog e conteúdo que me foram herdados e retomar o Contos do Mausoléu, mas de agora de uma forma focada, de fato, em histórias horripilantes mesmo.

O nosso andamento daqui pra frente, no primeiro momento, vai ser repassar o conteúdo que tem aqui, que for aproveitável, para o VaLeW, seja pro Jogos de Zumbi, Laminha, Bolonha Club, Games de Corrida ou onde for conveniente. Isso significa que, no momento, teremos aqui no Contos de Mausoléu o total de 1 (um) conto, embora isso possa mudar eventualmente, mesmo sem termos finalizado o arquivamento e a curadoria do conteúdo em outros sites.

sábado, 28 de maio de 2016

Carvão bom pro seu churrasco (com sugestão de marcas)


 Este é um artigo que eu estava para fazer já tem um tempinho mas fiquei enrolando, embora seja simples e tenha um objetivo igualmente simples: indicar marcas boas de carvão e ajudar o seu churrasco.

Outro objetivo deste artigo é ajudar o Facínora, complementando uma publicação do seu projeto paralelo, o Bolonha Club, que vai tratar destes e outros assuntos úteis na vida de um homem. Claro que tem mulheres que fazem churrasco, mas praticamente todo homem assa (ou acha que assa) uma carne na brasa.

Mas então, o churrasquinho, algo relativamente simples de fazer e que oferece o seu intrínseco clima agradável (cervejinha, resenha etc.), é sempre uma da opções masculinas para cozinhar, visto que é muito difícil ficar muito ruim e não precisa de muito capricho. Entretanto, entre não ficar ruim e ficar bom, existe um mundo de diferença. E uma das coisas que fazem a diferença é o carvão.

Peça indispensável no churrasco, evidentemente, o carvão tem que ter três características, na minha opinião, para ser considerado bom: durabilidade, potência (para gerar calor) e estar seco.

Durabilidade é importante pois o carvão tem que atingir uma certa temperatura sem virar cinzas. Há quem diga que o fogo já tem que ser aceso uma hora antes de colocar a carne de boi. Imagina você desperdiçando aquela picanha caríssima num fogo rola cansada? Você pode até colocar mais carvão para compensar, mas vai ter que esperar ele pegar também. Sem contar que pode entupir a churrasqueira.

A potência, para mim, tem que ser forte. Carvão bom é aquele que você coloca a mão perto da altura da grelha e sente a sua mão queimando em 1 segundo. Claro que daí a atenção é redobrada para não queimar os bagulhos, especialmente o danado do pão de alho. Outra coisa a observar é a quantidade de carvão que você deverá meter na churrasqueira é menor do que o carvão genérico comum ou ruim. Se colocar muito, fica impraticável de mexer na parada, a não der que você tenha luvas de amianto ou algo do tipo.

a questão de estar seco pode parecer óbvia, mesmo porque não creio (embora também não duvidaria) que alguém venderia carvão úmido. Porém, vale a pena observar onde você guarda o material ou onde ele é oferecido pra sua venda. Ele tem que ser estocado de modo a impedi-lo de absorver umidade e tal. Carvão molhado é uma desgraça. Difícil para acender e mais difícil ainda de esquentar. A não ser que você for doente mental como o Facínora, que conseguiu acender churrasqueira com carvão literalmente encharcado, você vai querer manter este combustível, seja ele de qualquer marca, em um lugar que o mantenha seco.

Pois bem, agora vamos ao que interessa: as marcas de carvão.

Santa Branca



O Santa Branca é a minha marca preferida. Fácil de pegar fogo, produz muito calor e dura bastante. Encontro ela em BH vendendo em farmácias da rede Araújo e no Mercado Distrital do Cruzeiro. É bem provável que venda em outros lugares também, pois muita gente também reconhece sua qualidade.

Carvão Tropical


Este carvão apareceu lá na casa da minha avó. Não sei quem comprou, nem onde, mas achei este carvão de qualidade como o Santa Branca. Eu acho que ele não é de Minas Gerais. Se o saco ainda estiver lá, vou averiguar e atualizo aqui.

Carvão Mandabrasa


Mesma coisa do Tropical. Também apareceu por lá e achei de boa também. A vantagem da foto acima é que já tem até o telefone caso você queira comprar etc.

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