Numa vila esquecida entre morros e pastos secos, o verão era marcado por um estranho festival: o Enterro do Boneco de Sal.
Todo ano, no solstício, os moradores se reuniam na praça principal, colocavam um boneco humanoide feito inteiramente de sal grosso dentro de um buraco raso, e sussurravam preces esquisitas, como:
— Que não volte... que não volte...
Lucas era da cidade grande. Visitava os avós naquele ano, meio entediado com a vida rural e muito curioso com as esquisitices locais. Quando viu o tal boneco ser enterrado sob aplausos nervosos, achou tudo ridículo.
— Sério que vocês acham que um boneco feito de sal vai "voltar"? — zombou para um grupo de meninos locais.





